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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Intervenções Psicopedagógicas: a relação terapeuta e aprendente

Vamos dar continuidade a nossa discussão sobre as intervenções psicopedagógica. Hoje vamos abordar a relação terapeuta e sujeito/ aprendente em atendimento. Vamos dar preferência pela expressão aprendente no lugar de paciente/sujeito/aluno ou qualquer outra denominação.


Jossandra Barbosa
Psicopedagoga e Neuropsicopedagoga

.
Chamaremos de intervenção psicopedagógica o processo posterior ao diagnóstico psicopedagógico ( seja Dipp situacional, TA ou MA)*[1] com o objetivo de  INTERVIR (ajudar, habilitar, reabitar, capacitar) o aprendente de forma terapêutica em um espaço terapêutico. 

Clinica Sinapses em Teresina


Estamos aqui considerando psicopedagogia, como campo amplo, sem divisões entre clínica ou institucional e abordaremos como espaço terapêutico todo e qualquer espaço de atendimento.
Chamaremos de sessões de intervenção, reuniões e encontros de forma individual ou coletiva com aprendentes num determinado espaço terapêutico, num determinado tempo estimado.

É durante as sessões de intervenção que o psicopedagogo torna-se mais íntimo sujeito em atendimento/tratamento. E é exatamente esta proximidade que torna perigoso o trabalho do terapeuta/psicopedagogo. A partir de agora chamaremos o psicopedagogo somente pela expressão terapeuta , pois é assim que o sindicato dos psicopedagogos orienta que ele seja chamado – TERAPEUTA DA APRENDIZAGEM.

O Terapeuta em atendimento precisa ter cuidado com pequenos detalhes como, por exemplo, chamar o aprendente por apelidos, utilizar o diminutivo para explicar sobre algo contato afetivo, abraços, beijos e outros carinhos como também expressões de raiva ou aborrecimento.

O contato verbal e físico com o aprendente em atendimento deve ser limitado por regras, estas colocadas ainda no enquadramento das sessões. Enquadramento é o momento inicial de qualquer sessão terapêutica, onde o terapeuta estabelece um contrato oral de regras com seu/seus aprendente/s assim como quaisquer tipos de bonificações.

Importante ressalta que para o bom andamento de uma sessão terapêutica, o aprendente precisa estar consciente de tem de tudo aquilo que está acontecendo ao seu redor. Assim, o terapeuta precisa explicar o que ele irá fazer em suas sessões.  Sem mentiras. Principalmente quando estamos falando de crianças, pois o terapeuta pode ser levado a mentir para seu aprendente dizendo que ele irá só “brincar”, por exemplo. Tal atitude do terapeuta trará resistência quando for o momento desta criança usar um caderno, ou um teste escrito ou até mesmo a EOCA[2] por exemplo.  

Em outras palavras o aprendente precisa querer o processo de intervenção e não se assediado, comprado ou conquistado através de trocas e presentes a fazer as atividades propostas durante a sessão.

Você pode pensar ou estar dizendo: mas tem crianças que são resistentes as atividades do atendimento, ou são mais agitadas e pode ser preciso negociar com elas para que elas façam as atividades. Sim, isto pode acontecer. Só que não pode virar regra do seu atendimento. O seu relacionamento com seu aprendente deve ser de confiança e com regras bem claras desde primeira sessão.

Nesta sessão iremos pintar, depois iremos jogar o jogo A e B , sendo assim você só jogará o jogo A se tiver terminado a primeira atividade”

O terapeuta é que conduz a sessão e não o aprendente. Nunca esqueça disso.


Vamos falar sobre o contato com os pais. Pois é algo que o terapeuta deve ter muito cuidado.
Dentro da sessão o contato com os pais deve ser desenvolvido com cautela e precauções. Deve-se evitar dar o telefone ou e-mail pessoal aos pais, assim como cumprimento com beijos e abraços, limite-se a um aperto de mão forte que transmita confiança e credibilidade, evite conversas paralelas em ambientes que não seja o espaço de atendimento, não permita os pais dentro da sessão (a não ser que esteja planejada a presença deles), não permita que os pais entrem sem ser anunciados, não permita levar lanche para os filhos, bater na porta enquanto o atendimento está sendo realizado não faltar, ou até mesmo chegar com antecedência e querer conversar fora do espaço de atendimento.

Vou aqui contar-lhe um caso que me aconteceu:

Em um atendimento, descobri que uma mãe ficava escondida atrás da porta do consultório tentando ouvir o que eu falava com o filho dela. Foi uma cena constrangedora quando abri a porta para pegar algo em outra sala e me deparei com a porta entreaberta e com a mãe segurando no trinco. Ali terminei a sessão naquele exato momento e me pus a conversar com aquela mãe. Pois sem confiança não há processo de intervenção. Ela me argumentou o medo de abuso sexual e traumas de infância. Percebi que eu não havia feito um enquadramento adequado àquela mãe e então passei a refazer todo o processo de enquadramento. Resultando em sessões seguintes tranquilas e com a mãe na sala de espera.

Outras situações podem ser colocadas aqui, da minha experiência profissional, nos atendimentos e a relação com os pais. Por exemplo, pais que chegam dizendo o que querem que você faça. Outros são pessimistas e vão dizendo que nada dá certo e tem até aqueles que se acham mais competentes do que você e já colocam a sua capacidade em jogo. Em todos estes casos é o ENQUADRAMENTO[3] que definirá o rumo destas sessões.

Gosto de dizer que a intervenção psicopedagógica é o Real objetivo do trabalho do psicopedagogo. Ela que ele vai mostrar a sociedade o  resultado do seu trabalho.  É nela que o cliente vai perceber se seus objetivos foram ou não atingidos e daí  buscar novos  resultados que possam resolver o quadro de dificuldades que alguém possa estar enfrentando.

Há aproximadamente um mês uma família chegou ao meu consultório e colocou que estava mudando de terapeuta porque não virão nenhum resultado. Logo então fiz duas perguntas a esta família: quanto tempo foram de sessões e quais eram seus objetivos. Então me responderam que foram um mês e que o objetivo que desejavam é que queriam que a filha, de cinco anos e com autismo leve , fosse alfabetizada. Aqui nos leva de volta a importância do enquadramento. Onde parte do terapeuta mostrar aos pais o que é a intervenção, como ela funciona e o tempo que ela poderá levar. Por isso que eu defendo o PIPp [4]( são projetos de intervenção com tempo , objetivos e metodologia aplicada de acordo com a situação / local / aprendente) . Assim o cliente fica ciente do que ele deve esperar como resultado.

Voltamos então para a temática central desta postagem: a relação sujeito e terapeuta. Vamos nos reportar a  transferência e a contratransferência psicanalítica.
Durante as sessões o profissional precisa ficar vigilante como delinear sua relação com o aprendente/s. Voce sabia que você pode amar ou odiar o aprendente? Se apaixonar ou tentar se afastar dele? Ou se apaixonar por um dos pais? Ou por ambos?

Não vou fazer aqui longas explicações sobre os processos de transferência e contratransferências negativas e positivas durante o atendimento. Sobre este tema vou deixar um vídeo para que vocês possam refletir sobre este assunto. 





Entretanto , as intervenções podem demorar tempo suficiente para gerar sofrimentos psíquicos. Vir a desencadear patologias no terapeuta, tensões e frustações.  O aprendente por sua parte, estará propenso a expor seus mecanismos de defesas , resultando  as rejeições, birras, negações,  ofensas e até mesmo crises que resultem em quebra de objetos e até dano físico ao terapeuta ou do terapeuta para o aprendente.

Vou deixar o vídeo abaixo que fala sobre os mecanismos de defesa dentro do atendimento psicopedagógico. Tanto o terapeuta pode desenvolver os mecanismos de defesa intrapsíquico quanto o aprendente. Resultado no fracasso ou mesmo retrocesso das sessões.


O psicopedagogo precisa conter suas opiniões ou mesmo suas transferências  positivas ou negativas frente ao aprendente devem ser verificadas e contidas com frequente ( daí a necessidade do terapeuta fazer análise e supervisão com outros profissionais, porque é normal que o mecanismo de defesa da resistência ou da racionalização faça com ele não perceba os próprios erros deste relacionamento).

Não cabe ao terapeuta gostar ou não gostar do aprendente, mas sim buscar de todas as formas contribuir para que as queixas iniciais sejam amenizadas ou até mesmo eliminadas.

Aqui, ainda, podemos ressaltar que muitos profissionais passam a ter contato íntimo com seus clientes criando vínculos errados entre terapeuta e aprendente. Ou terapeuta e pais deste aprendente.




Intervenções Psicopedagógicas no espaço clínico do Instituto Sinapses. Aprendente com 5 anos. Dificuldades de Aprendizagem.


Quando falamos de terapia para jovens, adolescente e adultos o motivo de preocupação é ainda maior porque mecanismos de transferências como a sublimação e a projeção é um risco constante durante as sessões.

Precaução é a palavra chave da relação terapeuta e sujeito. Outros aspectos ainda podem der falados a este respeito, acredito que eu escreveria um livro só falando sobre este assunto. Um exemplo é a roupa do terapeuta. A cor do jaleco, a forma como as terapeutas mulheres mexem o cabelo, abotoam o jaleco, a escolha da peça intima, a altura do salto, a cor do batom, a pulseira tudo influencia nos aspectos do inconsciente do sujeito em processo terapêutico e também causa impacto no inconsciente do próprio terapeuta. 

Uma sessão terapêutica é uma caixinha de surpresa cheia de detalhes e que podem ter outras caixinhas fechadas dentro e que cada sessão surgem outras caixas a serem abertas.

Cada detalhe da sua sessão é importante. O sucesso dos meus objetivos seja ele fazer uma criança ler como faze-lo querer ir a escola, ou melhorar seu relacionamento com os pais são resultado de um conjunto de ações verbais e  não verbais do terapeuta.

Eu poderia ainda continuar falando sobre este assunto, acredito que venha construir outra postagem para darmos mais dicas de como o terapeuta possa estar atento e evitar simbioses negativas e contratransferências patológicas.

Já realizei supervisões com terapeutas em prantos de choros porque se sentem fracassados por não resolverem os problemas de seus clientes, outros se sentem estressados com uma continuidade de sessões que não sabem mais o que fazer e já vi até aqueles que chegaram a brigar com a família por causa do aprendente e presenciei um caso que o terapeuta entrou na justiça para ganhar a guardar de uma criança que era seu aprendente. Parece impossível, não provável, impensado, absurdo???? Nada disso. Tudo é possível dentro do espaço terapêutico. Assim como o quarto familiar é uma alcova de segredos o espaço terapêutico também é. Cheio de labirintos. Cheio de encantos. Cheio de lamentos.

Deixo a vocês o convite para discutirmos na próxima sessão estratégias para as sessões de intervenções.

Até a próxima. Caso desejar, deixe seu feedback nos comentários. E muito importante saber sua opinião sobre a postagem para assim pudermos desenvolver outras. Nosso objetivo é juntos compartilhamos nossas experiências.


[1] Jossandra Barbosa desenvolveu a teoria do DIPp – processo do diagnostico psicopedagógico dividido em três tipos de diagnóstico. Situacional, Transtorno de Aprendizagem e Modalidade de Aprendizagem. Através de um diagnóstico mais rápido, foram desenvolvidos instrumentos e técnica onde as sessões possam ser realizadas em 2 e no máximo seis sessões. Sessões que se tornam fáceis de serem vendidas aos clientes e aplicadas a qualquer tipo de ambiente de trabalho. O Dipp já é aplicado desde 2016 na clinica de atendimento do instituto sinapses em Teresina, e é ensinado em todas as turmas de pós-graduação do instituto sinapses. Também é aplicado no estágio 1 das turmas do sinapses. O livro Dipp poderá ser comprado em breve e todo e qualquer psicopedagogo poderá utilizar este novo método psicopedagógico.
[2] EOCA – Entrevista operativa centrada na aprendizagem. Teste psicopedagógico desenvolvido por Jorge Visca através da sua teoria Epistemologia Convergente.
[3] A teoria do Enquadramento é trabalhada no livro Epistemologia Convergente de Jorge Visca.
[4] Assim como o DIPp , Jossandra Barbosa desenvolveu a teoria dos projetos de intervenção – PIPp onde o psicopedagogo constrói após o dipp o tipo de atendimento baseado em objetivos que deseja ser alcançados. 


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Intervenção Psicopedagógica Na prática

Já observaram que poucos livros tratam sobre a Intervenção Psicopedagógica?


Intervenções Psicopedagógicas na Clinica de Atendimento do Instituto Sinapses


Fazer uma pesquisa sobre este tema vai te levar a uma meia dúzia de sites e livros.  Observo uma supervalorização do processo diagnóstico e a Pouca importância ao processo de intervenção. Já observou que os vídeos, livros e os cursos valorizam o diagnóstico?



 Uma Breve pesquisa no Google vai confirmar tal questionamento. Há uma número muito grande de páginas voltadas para discutir o diagnóstico, diferente  quando pesquisamos sobre a intervenção psicopedagógica.



Até mesmo nos cursos de psicopedagogia não são todos que oferecem como  disciplinas a intervenção psicopedagógica.

Intervenções Psicopedagógicas na Clinica de Atendimento do Instituto Sinapses

Quando comecei a atuar como psicopedagoga  deparei-me com inúmeras dificuldades de atuação durante as sessões de intervenções,  muito mais do que as sessões de Diagnóstico.



É durante a intervenção psicopedagógica que ficam mais claros e evidente problemas como a afetividade, relacionamento entre o cliente e o terapeuta, o cliente e a família,  a família e o sujeito em atendimento.

É  nesta fase que ocorrem conflitos de interesses, sejam dos Pais, da escola, do terapeuta como também do próprio aprendente.



Sem falar que é durante a intervenção que o psicopedagogo precisa ser mais criativo, obter materiais e ser dinâmico em seu atendimento para que o cliente não perca o interesse das sessões.



Nunca vi postagem de  psicopedagogos relatando dificuldades durante suas intervenções, geralmente quando vemos fotos nas redes sociais de alguém colocando sobre seu atendimento é sempre demonstrando facilidade e resultados positivos, na prática não é sempre assim que acontece ( também sabemos que faz parte do marketing mostrar somente bons resultados).



Muitos psicopedagogos passam  tempo suficiente com o aprendente e não conseguem resultados, algumas  famílias desistem do atendimento por não  observarem resultados atingidos com a terapia.  Ainda há os profissionais que estendem os atendimentos por questões financeiras mesmo  já tendo os resultados desejados.



Foi observando esses fatores, e dentro da minha própria necessidade, que  decidi fazer uma série de postagens específicas sobre o processo de intervenção. Desta forma dividi estas postagens da seguinte forma:



1 Primeiro vamos falar sobre a relação cliente e psicopedagogo durante o processo de intervenção.  Relação esta, onde vai acontecer transferência e contratransferências que podem tornar o atendimento inviável e até mesmo prejudicar o sujeito



2 Depois vamos falar de planejamento e estratégias de intervenção do psicopedagogo para atingir os resultados esperados das sessões.



3 E por fim, vamos analisar a Alta psicopedagógica ou seja o fim das intervenções, analisando quando o psicopedagogo deve parar de fazer o atendimento, ou até mesmo, quando as sessões não são mais significativas para o cliente? Qual a hora do fim do atendimento?




Obrigado a todos: Jossandra Barbosa.


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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

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sábado, 23 de agosto de 2014

Conheça a Psicopedagogia Clínica Escolar


                                        
Por Jossandra Barbosa


Depois de conversar com inúmeros profissionais através de e-mail, whatzapp e bate papo nas redes sociais locais percebi um grande erro de interpretação no que comumente chamamos de Psicopedagogia clínica e no relato dos profissionais e suas atuações nas escolas. Dai surgiu-me o interesse em realizar uma pesquisa sobre o tema.
Li cerca de dez livros, artigos, blogs e monografias referente ao que é a Psicopedagogia e encontrei incoerências que mostram erros de interpretação no conceito de psicopedagogia clínica começando na formação dos profissionais nas faculdades e terminam nos livros,  maioria dos textos publicados sobre o assunto. Desta forma os profissionais sentem-se desorientados sem saber na prática como e onde atuar.
Ao fazer o curso de psicopedagogia há duas disciplinas separadas uma de institucional (geralmente primeiro o que é um erro) e a de clinica depois. Nestas disciplinas aprendente que as duas são psicopedagogias com campos de atuação separadas e distintas, onde a Clinica é realizada em consultórios fechados e não pode ser aplicada na Psicopedagogia Institucional.
Ao passar estes conceitos geralmente os professores usam textos resumidos , com conceitos bem simplificados e sem nenhuma discussão do que podemos entender de clínico e o porque se deu esta diferenciação no Brasil causando uma gritante disparidade entre as disciplinas do curso, a teoria e os estágios e a pratica profissional.
Existem ainda uma separação nas faculdades do curso de psicopedagogia que deveria ser um curso só, passou-se a oferecer dois cursos separados: um de psicopedagogia clínica e outro institucional.
Os cursos de psicopedagogia institucional orientam seus alunos a trabalharem apenas a assessoria psicopedagógica, entretanto durante os estágios os alunos são obrigados a aplicar testes com alunos, fazer devolutivas  com os pais, a escreverem relatórios e a terem conhecimento da parte clínica, já que testes, devolutivas, informes, avaliação e intervenção são considerados instrumentos de trabalho do psicopedagogo clínico. Encontramos aí o primeiro erro. Se os alunos são orientados a fazerem apenas assessoria, como os estágios são clínicos dentro das escolas?
Na verdade os estágios clínicos dentro das escolas não estão errados. O que está errado é interpretação que os cursos e professores estão fazendo do que chamamos de Clínico e a separação da psicopedagogia institucional da clínica como se elas não pudessem andar juntas ou que tenha algo que proíba isto.
Para você é estranho pensar em psicopedagogia clínica dentro da escola?  Parece meio absurdo e incoerente? Mas não é. Investiguei nos livros de Alicia Fernandes, Jorge Visca e Sara Pain e descobri que estes autores falam em clínica porque na Argentina na década de 70, a psicopedagogia vem da área médica e não escolar com exceção da Sara Pain, que tem seu trabalho bem voltado para a realidade escolar. Mas estes autores mostram que os instrumentos de avaliação psicopedagógica podem ser usados nos mais diferentes locais, tudo depende do objetivo e do sujeito, seja ele grupo ou individual. Os trabalhos posteriores em sua grande maioria eram de psicopedagogos ligados a psicologia e que já atuavam em seus consultórios particulares, ou em hospitais públicos.Desta forma percebemos em seus relatos que eles falam de suas experiências naquele ambiente fechado, mas que não excluem as opções de atendimento do clínico em outros ambientes.
Na construção psicopedagógica no Brasil crostrui-se a partir das experiências e orientações dos psicopedagogos argentinos que possuem uma formação com duração em média de 4 a 5 anos, onde são preparados para atuarem no campo educacional e da saúde, muito diferente da formação brasileira que se dá , em sua maioria, nos cursos de pós graduações que vão de cursos com 360 horas a 600 horas, seja presencial com encontros quinzenais ou a distância com ou sem estágios. Em comparação com a formação Argentina a formação dos psicopedagogos brasileira perde no tempo em salas de aulas, em contato em discussões, conhecimento e produções científico. Existem cursos de 360 horas que forma o psicopedagogo clínico que muitas vezes não teve nenhuma formação anterior na área educacional e será lançado no mercado de trabalho para trabalhar com todos os tipos de dificuldades e transtornos de aprendizagem
Classifico a psicopedagogia em quatro tipos diferentes e que não podem ser separadas e que devem ser estudadas juntas em um único curso e aplicados a cada realidade social que o aluno está inserido são elas: A Psicopedagogia Institucional Escolar, Psicopedagogia Institucional Empresarial, Psicopedagogia Institucional Hospitalar e Psicopedagogia Institucional Assistencial e a Psicopedagogia Clinica que vai conter conhecimentos e informações necessárias a serem aplicadas em todos os tipos de instituições.Daremos ênfase neste estudo somente sobre a Psicopedagogia Institucional Escolar.
Nos conceitos publicados em livros sobre psicopedagogia, também dizem que a psicopedagogia clínica atua de forma curativa e a institucional preventiva. Entretanto nenhuma fonte estudada diz que não pode ter processo curativo na psicopedagogia institucional escolar ou nas outras instituições( Como é o caso do psicopedagogo assistencial que trabalha com crianças em orfanatos, espaços multidisciplinares, salas de recursos, etc) . Elas só afirmam que é importante o trabalho preventivo e que o foco do trabalho do psicopedagogo não seja o PROBLEMA DE APRENDIZAGEM do aluno, mas em todos os aspectos que o "problema" está relacionado.
Ao entrevistar profissionais da psicopedagogia de vários municípios encontramos vários profissionais da psicopedagogia inseridos em escolas seja por concurso público ou pela iniciativa privada realizando a investigação das queixas dos professores, avaliação e intervenção com os alunos que apresentam dificuldades, orientando os pais destes alunos ou alunos com necessidades educativas especiais, trabalhando com orientação metodológica para os professores, auxiliando projetos extracurriculares, fazendo assessoria com o planejamento escolar inclusivo, palestras e oficinas aos professores.
O que encontramos na pesquisa que entra em confronto com a teoria da formação é o trabalho de avaliação e intervenção junto com os alunos com dificuldades de aprendizagem, já que muitos afirma que a escola não é um ambiente adequado para realizar estas atividades, que devem ser restritas ao espaço fechado dos “consultórios particulares”.
                                   
Se entendermos que o termo clínico, que vem da medicina, significa “ tratamento de doenças” ,e diz respeito a saúde e não a educação, entenderemos que o consultório clínico é um espaço de pessoas doentes. E as pessoas que ali procuram o serviço da psicopedagogia seriam para se curar de uma patologia.
Entretanto as dificuldades e transtornos de aprendizagem ( que são o foco de trabalho do psicopedaogogo) não são considerados pela Organização Mundial de Saúde como doenças. Então concluímos que o “consultório” psicopedagógico não é um lugar de doentes.
 A psicopedagogia abrange a área da saúde e da educação ao mesmo tempo e nunca separadas, como afirma PORTO (2011) “A psicopedagogia é uma área de atuação que integra a saúde e a educação e lida com o conhecimento, sua ampliação, sua aquisição, suas distorções, suas diferenças e seu desenvolvimento de múltiplos processos”, entendemos a parte clinica da psicopedagogia como “tratamento físico, mental e cognitivo” dos problemas de aprendizagem desta forma ela pode acontecer em vários ambientes e não somente nos espaços conhecidos consultórios, que eu prefiro chamar de espaços psicopedagógico.
Outro conceito errado é o que chamamos de consultórios, damos um sentido restrito de um lugar privado de uma clínica médica, veja o que Jorge Visca diz a este respeito: " (...) consultório, significa um âmbito distinto dos quais estamos acostumados: é um lugar qualquer, a rua para quem tem dificuldade para locomover-se na cidade, cada caso em particular." (VISCA, 2010) e continua " em outros termos o consultório é um prologamento do psicopedagogo".
Desta forma o psicopedagogo pode ter um "consultório" em qualquer ambiente institucional basta que ele siga as seguintes orientações "comodidade,segurança, materiais adequados e não-modificação de seus elementos estruturais" ou deve ser um “lugar para receber o sujeito e lhe dar segurança de sua privacidade”. (VISCA, 2010).
Jorge Visca, nos fala em sua teoria da Epistemologia Convergente que o psicopedagogo deve ter atitude clínica em todo e qualquer ambiente de sua atuação e que o método clínico defendido por ele ( onde ele convergiu a psicanálise, a psicologia social e a epistemologia genética) poderia ser usada tanto para atenção a indivíduos de forma individual ou grupal, ou seja os instrumentos trazidos por ele como a EOCA, são instrumentos que não são de uso restrito dos “consultórios particulares” podem sem aplicados nas escolas, nas instituições de recuperação de pequenos infratores, casas assistenciais, com adolescentes, jovens e adultos, desde que voltados para os objetivos psicopedagógico de investigação das inquietudes educacionais.
Toda esta interpretação errada do conceito de psicopedagogia clínica, a restringindo num ambiente fechado e privado (geralmente particular, caro e inacessível ) resultou em uma alarmante diferença entre a teoria da formação e a prática quando o profissional é inserido no mercado de trabalho.
         Os psicopedagogos que atuam na área escolar buscam diagnosticar os problemas que afligem os alunos com históricos de fracasso escolar ( não entendemos aqui apenas a reprovação escolar mas sim a não aprendizagem significativa na idade certa e na séries correspondentes causando as disparidades em algumas salas principalmente em relação a leitura e a escrita que é o grande problema da maioria das escolas). Avaliação esta que tem como objetivo não classificar ou diagnósticos distúrbios e síndromes, mas sim obter uma visão geral do que está acontecendo entre a instituição e o aprendente, procurando entender suas reais competências e necessidades. Dai organizar um projeto de intervenção que vise buscar alternativas entre o professor e estes aluno específicos para que juntos possam conseguir superar tais dificuldades, como também isoladamente mostrar aos alunos como eles podem atingir os níveis de aprendizagem esperado pela escola. Entretanto muitos destes profissionais dizem se sentirem inseguros para realizarem as exigências do mercado de trabalho.
Dentro do que então chamamos de atuação psicopedagógica clinica escolar, entendemos que é uma atuação onde o profissional atua com conhecimentos de avaliação e instrumentos de intervenção psicopedagógica e os utiliza adaptando para a realidade de cada contexto escolar .Podemos  citar a experiência do projeto APE- Atendimento psicopedagógico escolar, que acontecia dentro das escolas municipais de Teresina/Pi onde o psicopedagogo trabalhava diretamente com intervenções clinicas (usando o lúdico) nas diferentes dificuldades de seus alunos e em contato com seus os professores. Projeto, este que foi interrompido na troca de gestão municipal.
Temos, também,  profissionais da rede particular que realizam a parte preventiva e terapêutica com ações frente às necessidades escolares como um todo, mas também individualmente trabalham com as crianças que apresentam dificuldades durante o ano letivo. Ainda temos profissionais que trabalham de forma autônoma oferecendo seus serviços para as escolas e estes atuam duas ou três vezes na semana levando assessoramento e atendimento clínico as escolas.
Muitos municípios estão criando Centro de Referencia para apoio psicopedagógico onde o psicopedagogo atuará de forma clínica. Muitos então defendem que somente esta é a forma correta para a interferência nos processos de dificuldade do aluno por ele estar fora do ambiente escolar. Entretanto discordo de tais afirmações. Vejo, sim, a necessidade da criação deste ambientes que são muito mais “ambientes assistenciais “ do que ambientes psicopedagógicos clínicos” em contra partida se a critica ao trabalho de intervenção do psicopedagogo escolar é contaminação com os problemas da escola, nossa critica a estes centros é a total desvinculação do profissional com a escola. Sabemos que tratar o problema da dificuldade do aluno focando somente este é algo impossível e sem consistência, aliado a isto está a dificuldade dos pais de levarem os filhos a uma outra instituição, pois este alegam trabalho e outros afazeres além da dificuldade de mobilização com transporte e alimentação.
 Elencando ainda problemas destes centros são a quantidade de crianças assistidas, pois até o momento é apenas UM centro para atender todas as escolas o que dificulta o trabalho do profissional psicopedagogo que atende variada clientela de idade, de bairros e as vezes até cidades vizinhas e o número de crianças levando a um atendimento exorbitante de crianças para um profissional e lhe impossibilitando de ter contato com todas as escolas e professores de cada criança.
Tudo isto resulta num número limitado de crianças atendida frente à necessidade do município e na continuidade do processo de fracasso escolar por aqueles que nem chegaram a ter a oportunidade de irem para o centro de referencia. Isto porque a criação do centro de referencia em dificuldade de aprendizagem para apoio interdisciplinar também uma manobra política de não contratar estes profissionais como corpo efetivo da escola.Na teoria, é um projeto muito interessante, mas na prática ainda há muito o que se discutir e criar alternativas para que o trabalho de intervenção psicopedagógica seja alcançado com sucesso. 
Concluímos esta reflexão defendendo a necessidade de discutir os conceitos de psicopedagogia clinica e institucional, assim como o fim da divisão dos curso de psicopedagogia em duas partes.
Acreditamos que há que deve haver uma reorganização dos cursos, assim como fiscalização destes para que assim não ocorra incoerência entre a formação e a realidade do mercado de trabalho. Já que o psicopedagogo é um profissional que sai das faculdades e vai atuar em escolas e outros ambientes educacionais em sua maioria, e precisa conhecer os instrumentos de avaliação de diagnóstico clinico das dificuldades e transtornos de aprendizagem, saber fazer um informe psicopedagógico, devolutivas e encaminhamentos
Finalizo falando brevemente da psicopedagogia Assistencial que cresce no Brasil com a contratação de psicopedagogos, principalmente,  através de concursos públicos para instituições de assistência a crianças, jovens e adultos, tais como só CRAS, NAICAS, APAES, AMAS, abrigo de menores infratores, penitenciárias, instituições de recuperação de usuários de drogas e instituições de casa de repouso para idosos. São instituições que são informalmente escolares com outros objetivos e equipes multidisciplinares. Espaços alternativos onde o psicopedagogo trabalha com terapia de grupos ou de formas individualizadas tanto com forma de prevenção como de intervenção aos problemas educacionais nos aprendentes ali assistidos por estas instituições.
Sendo que a maioria dos psicopedaogos que assumiram posto nestas instituições possuem formação institucional e não tiveram conhecimentos do processo de diagn´soticos e em intervenção das  dificuldades escolares assim como não trabalham disciplinas sobre as diferentes síndromes, transtornos e outros.
Não adianta teorizar e dizer que o psicopedagogo deve trabalhar as relações vinculares nestas instituições, se ele necessita de formação que os dê suporte pra entender os transtornos e dificuldades de aprendizagem em todas as etapas da vida humana, e  de conhecer as técnicas e instrumentos de diagnóstico psicopedagógicos para serem usados nos diversos espaços de atuação com finalidades específicas, o mesmo acontece com as técnicas de intervenção, o uso de jogos, do lúdico, de estratégias de grupos não são de prioridade dos espaços considerados “clínicos tradicionais” mas devem ser repensados e adaptados para os novos espaços terapêuticos que o psicopedagogo está atuando.

Em suma:
Atendimento psicopedagógico clinico escolar é o trabalho preventivo e terapêutico do psicopedagogo dentro das instituições escolares onde há exigência de uma formação que abrange tantos os conhecimentos de teoria vinculares, de relacionamentos sociais , teoria da aprendizagem , desenvolvimento cognitivo, afetividade, mas também conhecimento técnico de avaliação e intervenção psicopedagógica clinica dos diferentes problemas de aprendizagem, que comumente nos referimos na psicopedagogia como dificuldades e transtornos de aprendizagem, assim como conhecimento do processo de intervenção direta com os alunos com Transtornos e dificuldades de aprendizagem ( e não com crianças  especiais ou síndromes).

Este atendimento podem ser feitos em salas destinadas somente a atuação psicopedagógica, com materiais lúdicos,  projetos de apoio psicopedagógico e de assessoramento que vise a instituição como um todo , um trabalho em conjunto com a gestão , coordenação e família. Mas que também ofereça oportunidades mais praticas, mais executáveis e possíveis de que todos possam participar. Desta forma entendemos que as oportunidades profissionais estarão mais abertas e que o com uma formação mais consistentes nos cursos de psicopedagogia ( que deveriam deixar de serem específicos mas obrigatórios a formação completa em clinica e institucional e que na atuação profissional cada escolha a área que deseja mas com conhecimento abrangente das duas áreas).

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BOSSA, Nadia. A psicopedagogia no Brasil. Editora Arte Médica. São Paulo, 2000.
BEAUCLAIR, João. Para entender psicopedagogia: Perspectiva  atuais e desafios futuros. 3ª edição. Wak editora. Rio de Janeiro, 2009.
CARVALHO, Evodite goncalves (org). Psicopedagogia Institucional e sua atuação no mercado de trabalho.FE/UNICAMP. São Paulo, 2008.
CORDEIRO, Lenalva Oliveira. Teória e Pratica da psicopedagogia clínica. Wak Editora. Rio de Janeiro, 2013.
GOULART, Denise. Psicopedagogia Institucional. Curitiba, 2007.
FAGALI, Eloisa Quadros & VALE, Zélia. Psicopedagogia Institucional Aplicada. Vozes,  Rio de Janeiro. 2003.
LOMINICO, Circe Ferreira. Psicopedagogia Institucional. Ciência e Fé. Edicon, São Paulo,2003. 
PORTO, Olivia. Bases da Psicopedagogia: Diagnóstico e intervenção nos problemas da aprendizagem.5 ed. WAK, Rio de Janeiro.2011.
_______, Olivia. Psicopedagogia Institucional. Teoria, prática e assessoramento psicopedagógico. 4ª Ed. Wak, Rio de Janeiro. 2011
SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e realidade escolar. Editora Vozes, Rio de Janeiro, 1994.
WEISS, Maria Lucia L. Psicopedagogia Clinica. Editora DAP&A. Rio de Janeiro, 1999.
VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica:Epistemologia convergente. 2ª edição. Pulso Editorial. São Paulo, 2010.

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